sexta-feira, 19 de abril de 2013

Feras ...




19 de abril de 2013.

FERAS ...
Por Elizabeth Rodrigues





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Eu fechei os olhos.
Foi só isso o que eu fiz. Mais nada.
Ali, parada no meio da selva, vendo as feras que se aproximavam de mim, ouvindo seus rosnados, vendo suas garras e dentes expostos, prontos para me atacar, eu simplesmente fechei os olhos.

E me dei conta, naquele momento, de que elas não eram mais do que projeções daquilo que havia dentro de mim.

Perplexa, sem saber o que fazer, eu me ajoelhei e orei. Não para um deus, não para um Ser de Luz que passasse por ali. Eu orei a mim mesma.

Com os olhos fechados, sem poder ver todas as projeções mentirosas que ajudei a criar sobre este mundo, tudo o que me restava era o que havia em meu interior. Sem feras, sem terras, sem mares, sem ventos. Nada, nada além de mim mesma.

E em minha oração eu pedi ajuda. E em minha oração eu perguntei o motivo.
Naquele momento a resposta foi o silêncio. Silêncio que incomodava, que cortava o coração como uma navalha. Eu queria o som, eu queria o grito. Mas só havia o silêncio.

Pensei nas feras que encontraria assim que abrisse novamente os olhos. O que eu faria com elas?

E então compreendi. Aquelas feras eram uma parte de mim. Uma parte do que eu acreditei que havia em mim. Algo que eu pensava que fosse eu.

E o silêncio me trouxe a resposta. Porque não eram as palavras, os gritos, o som deste mundo que iria afastar as feras. Era simplesmente o meu próprio silêncio, que, não as alimentando mais, as faria sucumbir.

Abri os olhos, e as feras continuavam lá. Mas estavam mudadas. Me olhavam com a cabeça baixa, quase em reverência. Percebi o que aquilo significava. Aquelas feras, que antes me ameaçavam e assustavam, agora, diante do meu silêncio, sabiam que chegara o seu fim.

Durante tanto tempo eu acreditei que o ataque daquelas feras poderia me tirar a vida, e finalmente percebi que era a minha paz que as matava.

Olhei para elas mais uma vez, e com surpresa vi que as amava. Mesmo sendo feras, elas foram, durante um bom tempo, parte de mim. Foram parte daquilo que eu ajudei a criar neste mundo. E agora era a hora de me despedir.

Eu não iria mata-las, jamais poderia lançar mão de uma arma qualquer para atingir aquilo que era parte de minha própria criação. Apenas me afastei e as deixei ali.

No meio da floresta, sem ter mais o alimento que eu mesma levava a elas diariamente, aquelas feras teriam duas escolhas: Continuar esperando que eu voltasse para alimentá-las, e acabar por morrer de inanição, ou encontrar o alimento que o seu próprio silêncio lhes oferecia.

De um jeito ou de outro, uma coisa ficou clara: Elas nunca mais poderiam rosnar. Elas nunca mais tentariam me atacar.

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Publicação autorizada por Elizabeth Rodrigues.
via: www.despertardaluzinterior.blogspot.com.br

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