sexta-feira, 29 de março de 2013

Tempestade ou calmaria - Apenas uma escolha...



29 de março de 2013.
TEMPESTADE OU CALMARIA -
APENAS UMA ESCOLHA ...
Por Elizabeth Rodrigues





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Eu estava em um navio viajando para algum lugar que não importa qual.
Havia vários conhecidos comigo, viajávamos em grupo. Mas por alguma razão eu preferia ficar sozinha caminhando pelo navio.

Depois de caminhar um pouco, encontrei uma porta que dava acesso a um lugar bem baixo no navio, quase ao nível da água.

Abri a porta e fiquei lá fora sentindo o vento no rosto.
A beleza da água era muito convidativa, e eu decidi me aproximar da grade para tocá-la. Mas logo fui tomada por um medo que me parecia normal. Aquele lugar era muito baixo, e a grade batia abaixo de minha cintura, então tive um pensamento que me pareceu bastante coerente naquela situação: se eu me aproximasse da grade e uma onda um pouco mais alta viesse, ela poderia me jogar para fora do navio.

Aquele pensamento, natural e até bastante simples, me paralisou. Sem perceber eu havia deixado o medo tomar conta da situação e me impedir de viver um momento especial e que talvez nunca mais se repetisse.

Decidi não lutar contra o medo, e apenas fiquei ali, encostada na porta, vendo o mar e sentindo o vento que passava suavemente. E quando dei por mim, já não havia mais medo. Aquele pensamento inicial, que tinha dado origem ao medo que eu sentia antes, simplesmente desapareceu.

Me aproximei da grade, encostei nela e estiquei o braço para tentar tocar a água. Mas por pouco minha mão não chegava. Estiquei o corpo o máximo que pude, mas mesmo assim minha mão ficava alguns centímetros acima da água.

E mais uma vez eu resolvi não teimar contra uma situação. Fiquei ali encostada na grade olhando para o mar. Se não podia tocar a água, isso não seria problema, o mar sentiria meu carinho mesmo assim.

E então, de repente, algumas ondas começaram a se elevar. Elas vinham em minha direção com suavidade. E de uma maneira que eu não tinha como explicar, aquelas ondas paravam diante de mim sem ultrapassar a grade.

Elas vinham e recuavam, mas nenhuma delas invadia o navio. Era como se aquelas ondas soubessem o que estavam fazendo, como se soubessem que bastava ir até onde iam para que eu as tocasse, sem que elas precisassem seguir adiante.

Era uma água muito limpa, transparente e linda. O perfume do mar era forte e extremamente agradável. Senti como se o mar estivesse se comunicando comigo, como se a cada nova onda que se aproximava ele dissesse: “Estou aqui, sou seu amigo, faço parte de você. Estamos sempre juntos.”

Comecei a aproveitar cada onda que vinha para molhar as mãos e o rosto. Eu brincava com a água, e senti que ela também brincava comigo.
Era um momento só nosso. Eu e o mar brincando juntos como duas crianças que não tinham nenhum tipo de preocupação, que apenas aproveitavam o momento e compartilhavam a paz.

Percebi que o navio se movia com muita velocidade. Ele ia rápido demais, e agitava muito a água sacudindo bastante os pequenos barcos que passavam por nós. E então vi ao redor vários pedaços de barcos destruídos.

Grandes navios que afundavam lentamente e pedaços de barcos menores que passavam boiando por nós. Mas nada daquilo me interessava, eu apenas continuava me divertindo com o mar.

Mais adiante eu vi uma ilha. Era pequena e havia um enorme prédio nela. Mas notei algo de estranho naquele prédio. Ele estava parcialmente destruído, parecia abandonado e suas paredes queimadas deixavam claro que um grande incêndio havia acontecido ali.

Mas isso também não me importava.
Percebendo que nos aproximávamos do porto, eu me despedi do mar, agradeci pelo imenso carinho de ter elevado suas ondas para que eu pudesse tocá-las e fui para dentro do navio me preparar para desembarcar.

Tudo estava calmo, o céu azul, a brisa perfumada. Um dia lindo.
E quando desci do navio, vi algumas pessoas agitadas e nervosas. E ouvi algumas delas comentando que não entendiam o que havia acontecido. Decidi parar um pouco e ouvir melhor o que diziam.

Elas comentavam que a previsão era de muita tempestade, que estavam com medo que o navio não suportasse aquela viagem, ou que no mínimo atrasasse sua chegada ao porto. Mas ao contrário de todas as previsões, o sol brilhou o tempo todo por todos os lugares onde aquele navio passou, o mar ficou calmo e o vento esteve sempre na direção e velocidade ideais para que a viagem fosse tranquila. Pensavam que o navio não chegaria ao porto, ou que chegaria atrasado e danificado, mas por causa das condições do tempo, e do comandante que fez o navio correr o mais rápido que podia, chegamos adiantados.

Ouvindo tudo aquilo eu olhei ao redor. Não entendia a expressão de espanto no rosto daquelas pessoas, seu nervosismo não fazia sentido. Tudo o que eu via era paz e calmaria, mas eles só pensavam naquela que teria sido uma das piores tempestades já existentes.

Decidi seguir meu caminho. Não me importavam os destroços de barcos que encontrei. Não me importava o que havia acontecido naquela ilha. Tudo o que havia para mim era a certeza do amor que compartilhei com o mar.

Os momentos que passamos brincando, o carinho infinito da natureza ao meu redor. E enquanto me afastava, tive certeza que aquelas pessoas não poderiam compreender o que aconteceu durante a estranha viagem daquele navio que atravessou a tempestade sem sequer se dar conta dela.

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Publicação autorizada por Elizabeth Rodrigues.
via: www.despertardaluzinterior.blogspot.com

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