sexta-feira, 20 de julho de 2012

IRMÃO K - O que é exato para você não é exato para o outro [20/07/2012] - Autres Dimensions



20 de julho de 2012.
Mensagem publicada em 21 de julho, pelo site AUTRES DIMENSIONS.

Áudio da Mensagem em Português

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Meu nome é IRMÃO K.

Irmãos e Irmãs, estabeleçamo-nos na Comunhão.

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Eu vim a vocês, hoje, para tentar exprimir o que é, a priori, complexo, mas que espero, através de nossa Comunhão, as Vibrações e as palavras que vou empregar, permitirão simplificar.

Vamos abordar o tema da não percepção que leva, como sempre, de início, a definir o que é a percepção e em qual quadro ela se inscreve, em relação à consciência e em relação à vida, tal como vocês a conhecem e tal como ela é.

A consciência em encarnação, qualquer que seja, baseia-se na experiência, em sua própria percepção; ela se baseia em certo número de elementos que lhe permitem interagir, permanentemente, com ela mesma e com o conjunto de viventes sobre este mundo.

A consciência vai, portanto, apresentar certo número de atributos que vão decorrer de certo número de eixos, mais ou menos presentes, mais ou menos importantes.

O primeiro desses eixos diz respeito à concepção, e entendo por concepção tudo o que pode ser um modo de interação, no sentido amplo, e que é oriundo, diretamente, de mecanismos do pensamento, de mecanismos de adesão à crenças, assim como ao conjunto de experiências da encarnação que imprimiram, no ser, certo número de elementos.

Vem, em seguida, a percepção.
A percepção é a capacidade da consciência para receber e emitir certo número de elementos que permite a ela, através dos sentidos e, para alguns, além dos sentidos, receber certo número de sinais que vão, de maneira inevitável, encontrar-se em interação, em um primeiro tempo, com a própria percepção, a concepção e a percepção que está, portanto, na interação.

Ao nível da concepção, podemos fazer entrar tanto a educação como a própria sociedade, a própria cultura, o meio cultural, o conjunto de emoções, o conjunto de experiências que foram realizadas desde o aparecimento nesse mundo, seja nessa vida ou no que é nomeado, correntemente, outras vidas.

A problemática é que a consciência do ser humano em encarnação apresenta certo número de filtros.

Esses filtros foram nomeados de Véus.
Esses Véus que podem ser, em um primeiro tempo, como facilitadores ao acesso a outra coisa que não o que é visível ou percebido, pelo comum dos mortais, não são menos, como vou tentar explicar e demonstrar, do que um filtro que modifica, certamente, a percepção, que dá a ver o que é invisível para os sentidos, mas que não é menos colorido, ele também, por suas próprias concepções, suas próprias ideias, suas próprias organizações, Internas e, também, sociais.

Eu falarei, portanto, da percepção estreita, no sentido em que é a percepção correspondente aos sentidos habituais e comuns de todo ser humano, mais ou menos aguçada, mais ou menos evidente, ainda que apenas, por exemplo, para a audição na qual, no plano estritamente físico, existem, é claro, tanto déficits de audição como uma audição que é qualificada de absoluta, o ouvido absoluto.

A consciência evolui, portanto, e manifesta-se por um mecanismo que foi nomeado projeção, essa projeção que permite a interação e é essa projeção da consciência, em um determinado ambiente, que vai dar as percepções.

Percepções sensoriais, percepções ligadas às concepções inscritas tanto no humano como na sociedade.

Da interação, por exemplo, da concepção do humano e da concepção da sociedade, resulta uma adequação ou uma inadequação do humano em relação ao seu ambiente.

A percepção pode, também, recorrer ao que eu nomearia a percepção
expandida. É aquela que eu lhes descrevi por tê-la vivido, no momento de um choque vivido em minha encarnação passada.

Essa percepção expandida ultrapassa o quadro dos sentidos, ultrapassa, portanto, o quadro usual, e vai traduzir-se por uma amplificação da percepção, que ultrapassa, amplamente, os quadros usuais e que se dirige, de algum modo, a um maravilhoso, uma vez que ele era invisível na percepção estreita.

A percepção expandida faz-se em um modo não sensorial, mas extrassensorial, que pode recorrer, eventualmente, a sentidos mais sutis do que aqueles que lhes são conhecidos como, por exemplo, a clarividência, a clariaudiência, a clarissenciência, a intuição.

Essa percepção expandida dá, portanto, acesso ao que é qualificado de invisível ou de não percebido pelos sentidos comuns.

Não se esqueçam de que a percepção estreita – como a expandida – vai, necessariamente, encontrar-se confrontada às suas próprias concepções, ou seja, às suas próprias ideias, aos seus próprios pensamentos, às suas próprias experiências e às suas próprias construções mentais e, também, emocionais.

A percepção estreita, como a percepção expandida, correspondem, ambas, a projeções da consciência que adquirem, no retorno, um sinal que pode ser ela também e, sendo, necessariamente, filtrado pelas concepções e, também, pelos diferentes filtros nomeados corpos sutis que permitiram, eles mesmos, justamente, perceber o que era, portanto, não visível, não percebido na percepção estreita.

Tanto uma como a outra são, portanto, condicionadas e condicionantes.
Elas não estão livres da interferência da consciência, não estão livres do julgamento, não estão livres do livre arbítrio, mas inscrevem-se de acordo com um princípio chamado evolução, específico desse mundo.

Toda concepção, tanto estreita como expandida, vai modificar os véus que, justamente, permitiram essa percepção.

O primeiro dos véus diz respeito, obviamente, ao que eu nomearia o afeto ou o afetivo, em seu sentido o mais amplo, que corresponde ao corpo astral, ao corpo emocional ou, se preferem, ao corpo de desejo.

Como resultante, pode-se dizer que, tanto o que é visto na percepção limitada como na percepção expandida decorre, de certa maneira, da qualidade do corpo de desejo, da presença dele, da rarefação dele, mas, também, do que constituem as concepções que interagem com esse corpo de desejo chamado o corpo mental ou o véu mental.

O véu mental é constituído de crenças, de ideias e de experiências que permitiram moldar, construir, diretamente, a personalidade, dando a ela um quadro de referência e de ajuste ao ambiente.

O ambiente que é, ele mesmo moldado, através da cultura, da educação, da experiência vivida junto aos pais e de diferentes relações construídas, tendem a fazer com que a mesma realidade desse mundo não se traduza pelo mesmo real, no sentido da concepção, para cada Irmão e cada Irmã.

A diversidade de crenças, de ideias, de emoções e de afetos traduz, indiscutivelmente, esse princípio, e é o que faz a diversidade, a riqueza do que é nomeada a vida desse lado em que vocês estão.

Nenhuma dessas percepções dá conta da Verdade absoluta ou do real.
Frequentemente, foi dito que o invisível não era a verdade nesse mundo, e que o que era visível para os olhos, para os sentidos ou para as percepções era apenas filtrado e confrontado, de algum modo, às suas próprias experiências.

Assim é, por exemplo, do que é nomeado o sentir.
Muitos Irmãos e Irmãs confiam em seus sentires, sem imaginar, um segundo, que esse sentir passa, ele também, pelos filtros do véu astral e do véu mental e, portanto, ele também, submisso a uma dualidade inexorável, uma vez que existem coisas – e vocês sabem, pertinentemente, disso – que lhes parecem corretas, que lhes parecem incorretas, que lhes parecem boas ou que não lhes parecem boas, para vocês ou para o outro, mas, sempre, em relação a um sistema de filtros ou de véus ligado às ideias, às crenças, à educação e ao sistema social.

Aparece, agora e já, que, tanto a percepção estreita, como expandida, é alterada pela própria interação existente nesse mundo.

A questão que se coloca é, portanto, saber se a percepção – como a concepção – pode aplicar-se, obviamente, para além das leis e das interações desse mundo.

A resposta, através do que vocês vivem, através do que vocês têm lido, leva-os a pensar e a viver que isso não é verdade.

O sentir de um não é o sentir do outro.
E, no entanto, o que é observado pode ser, estrita e exatamente, o mesmo objeto, a mesma consciência, a mesma energia, o mesmo evento, que pode traduzir-se, para um Irmão e outro Irmão como ao oposto.

Dito em outros termos, o que é bom para um não é bom para o outro.
Pode-se, razoavelmente, vislumbrar que isso é assim em outros lugares.
E pode-se afirmá-lo, e é o que vou tentar desenvolver, que, enquanto existe uma percepção, enquanto existe uma concepção, enquanto o que é nomeado de véus ou corpos sutis está presente, nenhum elemento puxado à consciência pode ser exato, porque ele é, como acabo de explicar, colorido pela presença desses ditos véus, desses ditos corpos sutis, mesmo no que diz respeito às coisas não visíveis, ou seja, na expandida.

A concepção, em si mesma, é oriunda do conjunto de crenças de tudo o que foi experimentado ou daquilo a que vocês, eventualmente, tenham aderido, sem mesmo colocarem-se a questão de saber porque vocês aderiram a tal crença, porque ela lhes parecia correta, mesmo se não existisse sentir associado, nem percepção associada.

Assim é a história do gênero humano sobre esse mundo, na qual se traduz, nesse nível também, uma espécie de filiação, confinante e alienante, que os priva da Liberdade.

Tudo o que é conhecido, tudo o que é provável e experimentável referir-se-á, sempre, apenas ao seu próprio ponto de vista, como foi dito, ou seja, aos seus próprios filtros, e seus filtros não são os mesmos que os de um Irmão ou uma Irmã e, no entanto, nós somos, todos, Um.

Então existiria, além da percepção estreita, como expandida, além das concepções, além do afetivo e das emoções, algo que permitisse superar seus limites, de algum modo, e permitir aceder a um Ilimitado, no qual haveria, se não uma mesma finalidade, ao menos um mesmo suporte ou um mesmo elemento que fosse e que, portanto, tocasse o que se chama o princípio da Unidade?

Enquanto os véus estão presentes (mesmo se eles lhes dão a ver o que é dito invisível para os sentidos), vocês permanecem e continuam condicionados por suas próprias concepções: ideias, cultura, educação, experiências pessoais, experiências de vida passada.

Será que, nesse sistema que é referenciado a um passado, a uma experiência, pode-se encontrar uma objetividade total?

Isso é, estritamente, impossível.
O que é exato para você não é exato para o outro.
E penso que não haverá ninguém para contradizer-me, concernente tanto ao que vocês nomeiam o Amor como a Luz, como às religiões, como aos sistemas sociais e, mesmo, em dois indivíduos extremamente próximos, não existe, de maneira infalível, a mesma percepção, a mesma concepção.

Pode-se, portanto, perguntar-se, muito legitimamente, se a própria percepção, mesmo a mais expandida possível, como as concepções as mais vastas possíveis, não são obstáculos a algo mais, uma vez que toda percepção, toda concepção, todo afeto, toda emoção vão induzir uma forma de reação no indivíduo encarnado, que é o modo de expressão normal da encarnação, que se pode chamar, da maneira a mais ampla possível, Ação/Reação.

O fato de perceber ou de conceber é, portanto, uma ação, a reação que se traduz pelo ajuste ao que é percebido, ao que é concebido, ao que foi a experiência pessoal.

Daí decorrem todas as incompreensões existentes nesse mundo.
A maior parte dos seres humanos evolui segundo os princípios de crenças.

Há algum tempo, eu havia explicado o papel da imagem, o papel da visão.
O que eu digo, hoje, supera, amplamente, o âmbito visual.

Vocês todos sabem, também, que, nos sentidos mais sutis, como a audição, a mesma música, a mesma voz pode parecer-lhes agradável ou desagradável, ou indiferente, e, no entanto, de maneira objetiva, o som, a música que é emitida é, exatamente, a mesma, no plano físico. Mas o resultado, ao nível de um indivíduo, pode ser, aí também, estritamente, ao oposto de um como do outro.

A percepção pode parar?
As concepções podem parar?

Eu entendo por parar, não desaparecer, uma vez que elas são a base da consciência em encarnação, e a encarnação, em si mesma, é apenas um jogo de interações.

Existe um meio, portanto, de pôr fim aos filtros, de pôr fim à percepção estreita como expandida, de pôr fim às concepções e de pôr fim aos afetos e às emoções?

A resposta é, seguramente: sim, é ser Absoluto.
Obviamente, vocês sabem que nada se pode dizer do Absoluto e, em minha vida, eu dizia a alguns interlocutores que aqueles que me falavam assim, obviamente, jamais haviam atravessado o Rio para ir ao outro lado.

E, obviamente, enquanto vocês não atravessaram o Rio, não têm qualquer possibilidade, pelas percepções, pelas concepções, mesmo se sua concepção aproxime-se da Verdade e do real da Outra Margem, vocês não têm qualquer experiência disso, e isso permanece ao nível da crença, ou da adesão a um dogma.

Tudo o que não é, portanto, experimentado, realmente, por si mesmo, não apresenta qualquer sentido nem qualquer realidade em relação à percepção e à concepção, o que quer dizer que permanecem, mesmo se estão estarrecidas.

Existiria, portanto, uma concepção estreita, oriunda do que vocês têm vivido, ou daquilo a que aderiram nesse mundo, por sua experiência, seus afetos e suas emoções.

Existe, do mesmo modo, uma concepção expandida que se poderia chamar de ideais, mas esses próprios ideais, mesmo os mais nobres, como uma aspiração ou uma tensão para um futuro melhor ou sublimado, não são em nada uma experiência vivida.

Essa concepção expandida, qualquer que seja o ideal, mesmo o Amor, o carisma, a compaixão ou a Idade de Ouro, permanecem apenas projeções, mesmo mais amplas, é claro, do que as concepções estreitas que regem, por exemplo, as regras morais, sociais, políticas de sua sociedade.

Ter um ideal, efetivamente, expande a concepção porque, a partir daquele instante, vocês não estão mais rigidificados em mecanismos ligados à experiência passada, mas vocês tentam criar, realmente, um mundo melhor.

Mas esse mundo melhor, quer vocês queiram ou não, mesmo apoiando-se em conceitos ideais como o Amor, poderá apenas ser tingido por seus próprios filtros, suas próprias experiências, e chocar-se-á, de maneira forte, ao que está estabelecido na sociedade, na rede social ou no grupo social, como algo de imutável.

A novidade e a busca de novidade que vocês podem aplicar em relação a um mundo melhor será, definitivamente, apenas função de sua própria experiência, ou seja, de sua própria consciência, quer essa consciência, aí também, seja do eu ou aquela do Si, quer ela seja ela, aí também, estreita ou expandida.

Tanto uma como a outra, estritamente, nada mudam.
Então, existe um meio de ir além de tudo isso?

O paradoxal é que é necessário cessar a percepção, cessar a concepção, cessar as emoções e o afetivo para desembocar no que sabem não ser possível, como uma passagem ou experiência, mas como estado final, nomeado Absoluto.

Nós demos a vocês elementos, elementos sobre os quais nós temos insistido, como Pilares do Coração.

Dois deles, nomeados Humildade e Simplicidade, foram-lhes muito amplamente explicitados, mas a Humildade e a Simplicidade, como concepção, não bastam para superar a concepção expandida, mas vão fornecer um quadro que eu chamaria de mais vasto, que permite, talvez, superar esse quadro.

Apenas a Transparência é que pode permitir, na ausência de percepção e de concepção, não mais projetar a consciência e colocar-se para além do sujeito-objeto e, portanto, na distância necessária entre um sujeito e outro sujeito, um sujeito e um objeto, entre um objeto e outro objeto que são definidos pelo que foi nomeada uma localização precisa, uma forma precisa, uma densidade e um conjunto de características físicas extremamente precisas que definem, aliás, o que é o objeto.

Isso é um pouco mais difícil para o sujeito, mas é perfeitamente realizável, do mesmo modo, por aproximações, diversas e variadas, que existem tanto ao nível filosófico, como sociológico, como espiritual, mas que são apenas referências a um quadro, experimentado ou experimentável, e que permitem, de algum modo, desembaraçar-se, nesse mundo, no qual nós evoluímos quando estamos encarnados.

O que eu quero falar-lhes, estritamente, nada tem a ver com o que é definido. E, como vocês sabem, nós não podemos falar do Desconhecido.

Nós não podemos falar do Absoluto.
Mas, se há um elemento sobre o qual eu posso desenvolver é, efetivamente, a Transparência, porque a Transparência, quando é adotada, vai desembocar, muito precisamente, na não percepção e na não concepção, ou seja, de algum modo, uma extração do modo de interação da consciência comum (como expandida).

Isso passa, obviamente, pelo silêncio sensorial.
Isso passa, obviamente, pelo distanciamento de suas próprias crenças, de suas próprias ideias, de seus próprios pensamentos, assim como de seus próprios afetos e de suas próprias emoções, o que poderia chamar-se, em um primeiro tempo, uma forma de desidentificação ou de despersonalização, com todos os seus componentes negativos, tais como o concebe, por exemplo, a psiquiatria, uma vez que, obviamente, assim que a despersonalização esteja presente e não exista mais relação ao mundo da satisfação, os termos de diagnóstico caem como, por exemplo, na psicose ou no autismo.

Mas eu não me dirijo, obviamente, a esse lado psiquiátrico, mas, efetivamente, a seres humanos sensatos, que têm sido sensatos ao buscar, de algum modo, um sentido para sua vida, algo diferente, e que é seu caso, se vocês me leem ou se me escutam.

Então, como superar a percepção, como superar as concepções?
Bem, convém, já, colocar-se fora do sujeito e do objeto, tornar-se, de algum modo, o observador, o que foi nomeado como imutável.

A Transparência permite isso, porque ela não vai negar o que é percebido, não negar as concepções, mas, amplamente, transcendê-las, superá-las, para ir bem além do que está inscrito, tanto na estreita como na expandida.

Apenas a partir desse momento é que vocês podem, efetivamente, ir para a outra margem. Não existe caminho para ir para ali, existem apenas meios que podem fazer cessar o que é conhecido, o que é limitado, o que é da ordem da experiência.

Os véus estão aí desde a encarnação.
É claro, essas camadas isolantes, uma vez que se encontram, como vocês sabem, ao nível do Sistema Solar, foram, muito amplamente, cortadas, ou mesmo, algumas delas, ao nível coletivo, foram dissolvidas.

Agora, justamente, o que pode permitir-lhes dissolver seus próprios véus?
Bem, é preciso, já, aceitar que vocês nada podem perceber através da própria consciência, e nada conceberem através da consciência ou da experiência concernente à Outra Margem. Assim, portanto, numerosos princípios foram-lhes comunicados, explicitados, como a refutação, a investigação.

E eu não voltarei a isso, é claro, esse não é meu papel.
A Transparência, eu a descobri, e ela prossegue, de algum modo, uma aptidão específica, ligada às condições de minha reencarnação em minha última vida, mas, também, pela capacidade de ser absorvido pelo que eu observava e, ao mesmo tempo, pela vontade de não interferir. Era, efetivamente, uma vontade pessoal de não interferir com a percepção e, ainda menos, com as concepções.

Isso necessita ser Livre de todo julgamento, necessita ser Livre de tudo, a priori, e antes de tudo, liberar-se de toda crença, de toda adesão aos próprios afetos, às próprias emoções e à sua própria história.

Esse processo de abstração ou de extração de si mesmo, eu repito, não é uma despersonalização, mas vai dar-lhes a poder experimentar a Transparência.

A Transparência é, muito exatamente, o instante que se produz quando não existe mais a concepção, quando não existe mais a percepção.

Isso quer dizer que a percepção foi empurrada até o seu extremo, essa percepção expandida que lhes dá a ver o milagre da vida, que lhes dá a ver o invisível e a percebê-lo, senti-lo.

Mas como eu o disse, todo sentir é, necessariamente, marcado por seu próprio julgamento de valores, por sua própria escala de referência que lhes é própria, eu repito.

Nenhum ser humano encarnado possui uma escala de valor, de referência ou de julgamento que seja a Verdade, uma vez que existe, em seu nível, como ao nível de cada Irmão e Irmã, apenas uma verdade relativa.

A Verdade absoluta situa-se bem além das capacidades desse mundo, bem além se suas capacidades de percepção, de concepção, de afeto ou de emoção.

Há, portanto, um processo que poderia aparentar-se, nesse nível, como um disparate, porque a consciência consciente dela mesma não pode imaginar, nem mesmo supor que seu desaparecimento possa dar acesso à Verdade ou ao Absoluto, tanto mais que certo número de princípios de preservação é onipresente, vocês os conhecem.

Trata-se de condicionamentos desse corpo, como do conjunto dos condicionamentos ligados à educação. A educação confina-os, ela não os torna Livres, porque ela os induz às crenças.

Tudo isso representa ideologias, mesmo nas matemáticas que dão conta da explicação desse mundo. Mas essa explicação permanece ao nível da ideia, ela pode permitir a exploração da ciência e da tecnologia, mas, em caso algum, pode dar-lhes acesso à vivência de sua consciência, para além de toda consciência.

O elemento essencial é a Transparência, e eu volto a isso.
Passar da percepção estreita à percepção expandida vai transcender os sentidos habituais para dar-lhes acesso ao que é chamado o suprassensorial ou o extrassensorial, o suprassensível, porque estes não são percebidos pelos sentidos, mas por outros mecanismos, quer vocês os nomeiem chacras ou projeção sutil, de diferentes véus, de diferentes camadas isolantes do ser humano.

A partir do instante em que vocês aceitam que do conjunto de seus sentires, que do conjunto de suas percepções, que do conjunto de suas concepções decorrem, finalmente, apenas de seus diferentes filtros pessoais, a partir do instante em que vocês cessam de interagir ou de querer agir no que é visto, percebido e concebido cria-se, no interior da consciência, um estado de neutralidade.

Esse estado de neutralidade pode, geralmente e, sobretudo no que vocês vivem atualmente, permitir-lhes encontrar realidades ultrassensíveis. Os melhores exemplos e o último, em data, dizem respeito ao Canal Mariano, à Onda da Vida ou, mesmo, ao Supramental.

Mas isso não basta.
Foi-lhes falado e explicitado, em numerosas vezes, o princípio do Abandono do Si, que lhes especifica que os Quatro Pilares, Infância, Integridade (Ética, se preferem), ou, ainda, para além da personalidade, a Transparência, a Humildade e a Simplicidade eram, de algum modo, guias, trilhos que iam permitir-lhes superar as regras, quaisquer que fossem e, sobretudo, seus próprios filtros.

No momento em que se produz a percepção expandida, qualquer que seja a forma tomada, seja através do Canal Mariano, seja através da clarividência, seja ao nível da intuição ou do sentir indefinível que não se exprime, necessariamente, por uma clarividência, uma clarissenciência ou uma clariaudiência, mas, bem mais, por um lado que eu qualificaria de instintivo, ou seja, o próprio corpo pode reagir ao que é bom para ele e ao que é mau para ele, disso, todos nós sabemos.

Mas vocês não têm qualquer prova (e, aliás, ela não pode existir) de que o sentir, instintivo ou visceral, que os ajuda na vida desse mundo, seja uma ajuda para aceder ao Absoluto, bem ao contrário.

A partir do instante em que dão vez aos seus sentires, vocês se afastam do Absoluto, porque aderem à sua história, aderem à sua experiência, às suas percepções, às suas concepções e ao seu instinto.

Isso pode ser-lhes extremamente útil para desembaraçarem-se nessa vida, mas não lhes permitirá, em caso algum, passar ao outro lado e ir para a outra margem.

Vocês devem, portanto, renunciar.
Vocês devem, portanto, a um dado momento, para além de qualquer percepção, pôr em movimento um mecanismo que vai dizer-lhes: «basta», e isso se chama, de algum modo, a Maturidade.

Essa Maturidade vai mostrar-lhes, de maneira muito mais geral, que a dualidade, que o carma, a ação/reação, que a encarnação nesse mundo não podem, em caso algum, dar conta do que vocês São.

É claro, cada Irmão e Irmã não chega a essa Maturidade no mesmo momento; a problemática é que a Maturidade, agora, é um processo coletivo e que não diz respeito ao seu indivíduo nem a uma pessoa, mas, efetivamente, ao conjunto deste Sistema Solar, que vem ao seu encontro.

Então é, portanto, de algum modo, urgente, encontrar o que sempre esteve aí,o que jamais desapareceu, para além, justamente, de seus filtros, de suas experiências, de suas concepções, de suas percepções e de sua própria Consciência.

É claro, a percepção estreita e a percepção expandida correspondem, de algum modo (e em todo caso são sobreponíveis), à passagem do Eu ao Si, ou seja, do estado humano comum, no qual circula uma energia vital, ao que foi nomeado o Supramental ou o Vibral, que lhes dá a descobrir certo número de características novas, cujos nomes foram múltiplos no curso desses anos.

Houve, de algum modo, um aprendizado que levou a Consciência a passar de algo de estreito para algo de expandido.

A partir do instante em que, qualquer que seja, eu repito, o sentido ou o que está além dos sentidos, que dá a perceber essa percepção expandida, há um momento em que é necessário fazer cessar tudo isso, porque nada de tudo isso os levará ao bom porto, e tudo isso apenas manterá um confinamento, mesmo se certo número de elementos permitam-lhes extrair-se dele, através da Alegria, através do Samadhi e através da experimentação, seja do Kundalini, do despertar dos chacras ou, ainda, da Onda da Vida, porque em tudo isso, há um observador.

A Onda da Vida apresenta uma especificidade porque, a um dado momento, no Abandono o mais total do Si, vocês podem tornar-se a Onda da Vida e, portanto, Ser o que vocês São, de toda a Eternidade, ou seja, Absoluto.

Qual é, portanto, o mecanismo, que não é uma passagem, mas que permite passar de uma percepção expandida para a não percepção?

Bem, é justamente a Transparência, coisa que eu manifestei, desde minha mais jovem idade, antes mesmo de ter acesso à percepção expandida.

A Transparência consiste em deixar-se atravessar, em não interferir, não interagir com o que quer que seja. Isso se junta, em parte, ao princípio da não dualidade que vocês encontram, por exemplo, tanto no Hinduísmo ao nível da Advaita, como vocês encontram no Sufismo original ou, ainda, no Budismo original e não mais organizado porque, assim que há organização, assim que há estruturação, há concepção e há perda da expansão. E isso é uma constante.

Nenhuma tecnologia, dado que baseada no que é perceptível, ou que é conceituável, pode permitir-lhes, aí tampouco, aceder a outra coisa que
não o Si.

A Transparência da qual eu falo é um estado que se poderia qualificar de Vacuidade. É o momento em que toda percepção vai apagar-se, no qual toda concepção vai apagar-se.

É bem mais do que a meditação.
Os estados de Alinhamento, que vocês vivem desde, para alguns, numerosos anos, são destinados a fazê-los ir para isso.

Alguns entre vocês, hoje, vivem momentos em que a Consciência está como que ausente, sem que isso seja do sono, propriamente dito, mesmo se ele seja sobreponível.

É nesse nível que se situa a Transparência, no momento em que há, de algum modo, uma obliteração da Consciência, uma obliteração dos sentidos, uma obliteração da percepção, das concepções, das emoções e dos afetos. É, muito precisamente, nesse instante – que os faz sair de todo tempo, ou seja, da linearidade passada, presente e a vir, que os faz sair de todo sentir – que se encontra a solução.

Enquanto vocês permanecem ao nível do sentir, continuam sua história pessoal, e não podem ter acesso à sua história imortal, à sua Eternidade.
Isso é uma constante.

Dar-se conta disso é a Maturidade.
Dar-se conta disso é depor as armas e é Abandonar o Si, mas isso apenas pode produzir-se quando há uma forma de saturação, tanto dos sentires como das percepções, tanto estreitas como expandidas.

É o momento em que vocês não aceitam ter qualquer autoridade exterior, referir-se a qualquer modelo, a qualquer mestre, a qualquer ideologia, a qualquer crença, a qualquer ser humano, como a qualquer ser espiritual. E, aliás, os princípios – que se realizam pelo Canal Mariano, para aqueles que o vivem – de Comunhão, de Fusão têm um único objetivo: a Dissolução e, portanto, a Transparência.

É, portanto, a cessação completa da interação com esse mundo, visível ou suprassensível, que conduz ao fim da experiência e ao fim da separação, ou seja, à Liberação.

Nós os temos, portanto, conduzido – e isso já foi exprimido – a perceber algo de expandido, a penetrar uma realidade ultrassensível ou suprassensível, tanto mais que, ao nível coletivo, os planos ditos sutis e os planos multidimensionais aproximaram-se de vocês, até dar-lhes a perceber a presença, tanto de desencarnados liberados como de seres espirituais.

E lembrem-se, como foi dito, de que não é o lado sensacional de entrar em contato com isso que faz com que vocês superem a percepção, mas, efetivamente, a própria interação, que desemboca em algo bem mais vasto.

Assim, portanto, não é do seu ponto de vista nem do ponto de vista de uma entidade arcangélica, de uma Estrela ou de um Ancião, que se realiza essa alquimia, mas, efetivamente, na interação que se joga, na qual, justamente, a distância desaparece, na qual, justamente, o sujeito desaparece, na qual os sujeitos podem, mesmo, tornar-se intercambiáveis, que lhes dá a viver o que é nomeada a Transparência porque, para ser o outro, é necessário, efetivamente, que você esteja vazio, quaisquer que sejam os nomes que vocês empreguem, seja um princípio de Dissolução, de Fusão ou, ainda, algo chamado o Walk-in.

Tudo isso participa de uma única coisa: fazê-los descobrir e aceitar a imortalidade, ou seja, o que vocês São, no Absoluto.

A não percepção não é, portanto, uma ação de recusar a percepção.
É, efetivamente, ir através dela, aceitar não mais interagir com o que é percebido e ir além do que é percebido, do mesmo modo que é necessário ir além do que é concebido, além de suas próprias experiências, de seus próprios afetos, de suas próprias emoções e de seus próprios sentires.

Enquanto existe um sentir, vocês não estão Livres.
Enquanto existe uma concepção, vocês não estão Livres.
Enquanto existe uma interação, vocês não estão Livres.

Tudo o que nós temos conduzido juntos – e que vocês têm conduzido sobre esta Terra – permitiu-lhes, para muitos de vocês, viver o Si, aproximarem-se, de algum modo, de um estado suprassensível, que lhes dá acesso a concepções expandidas e a percepções expandidas.

Mas mesmo isso deve desaparecer.
Apenas no desaparecimento completo de todos os véus, de todas as interações e de todas as projeções é que se situa o Absoluto.

E isso passa, necessariamente, pela Transparência.
Essa Transparência não é, absolutamente, uma regra moral de conduta, de personalidade a personalidade, mas, efetivamente, a Transparência da não percepção, da não concepção, que faz desaparecer todos os sinais, não recusando vê-los, uma vez que, em alguns casos, é, justamente, aceitando ver o que vocês recusaram ver que vocês passam através da percepção e da concepção.

Não se trata de renegar as sombras ainda presentes, mas, efetivamente, de atravessá-las e não mais analisá-las, se há delas em vocês.

Aceitar ver-se face a face faz parte da Transparência.
Não é uma Transparência que se define em uma interação, no sentido horizontal (seja ao nível de um grupo social ou de dois indivíduos, mesmo os mais religados pela paz ou pela guerra), mas, efetivamente, na aceitação disso, que se situa a Transparência que permite desembocar na não percepção e na não concepção.

Enquanto vocês inter-reagem nesse mundo, enquanto inter-reagem com sua história, enquanto inter-reagem com seus sentires, vocês não estão Livres, porque estão condicionados, mesmo se esse condicionamento possa parecer como cada vez mais solto, progressivamente e à medida que vocês passam da percepção estreita para a percepção expandida.

Se vocês chegam a apreender, além das palavras, o que eu lhes digo, vai tornar-se cada vez mais evidente que a solução está aí, e ela se chama a Maturidade, que não decorre de uma experiência, mas que, justamente, decorre da saturação de experiências.

A partir do instante em que vocês chegam a compreender e a viver que toda experiência da Consciência, finalmente, não os Libera, mesmo se ela os realiza, então, naquele momento, vocês estão prontos para viver a Maturidade.

Desatar-se das afeições, desatar-se das emoções, não para desviar-se delas, mas, efetivamente, para atravessá-las (atravessá-las não quer dizer analisá-las e, ainda menos, vivê-las, mas, simplesmente, atravessá-las), então, naquele momento, vocês constatarão que o conjunto de seus sentires, que o conjunto de suas concepções e de suas percepções dizem respeito tanto a esse corpo como à sua Consciência que, nesse mundo, desaparecem, inteiramente.

Naquele momento, vocês estão na outra margem.
Para retomar o que dizia UM AMIGO, na outra vez, é a posição do observador que observaria um grupo de humanos. Ou, para retomar o que dizia BIDI, é passar daquele que observa a cena do teatro para aquele que sai do teatro para ver que não há teatro.

Enquanto isso não é realizado, vocês estão em uma verdade relativa, e essa verdade relativa vai fazê-los considerar que tudo o que escapa de seu campo de percepção, de seu campo de concepção, de seu campo de afeto e de emoção, como ao seu sentir não existe, simplesmente, e, de seu ponto de vista, vocês terão razão.

Eu repito, apenas a Maturidade é suscetível de fazê-los aceitar a não percepção, a não concepção e, para isso, é necessário tornar-se Transparente.

A Humildade e a Simplicidade permitem-lhes chegar a essa Transparência, que não é mais uma regra moral nem social, nem de relação, porque a Transparência aplicada a uma relação seria, ainda, apenas um jogo de enganos, ligado à interação, que põe em jogo afetos, emoções, concepções e percepções.

A parada de todo sinal, como a parada de toda interação, como a parada de toda projeção, como a parada de toda interiorização ou exteriorização vai levá-los a esse ponto de ruptura de equilíbrio que os faz passar, instantaneamente, para a outra margem.

A não percepção não é, portanto, a parada nem da cognição, nem das percepções, mas, efetivamente, sua suspensão, que permite sair, real, concreta e definitivamente da ação/reação.

Obviamente, a pessoa não é, absolutamente, concernida por isso.
Obviamente, nenhuma lei cármica, social, moral, espiritual, filosófica ou psicológica é de qualquer interesse para viver isso.
Bem ao contrário.

É a superação e a transcendência de todos esses elementos que vocês têm vivido, conhecido, experimentado, inscritos ao nível consciente ou inconsciente, que cessam.

A não percepção dá-lhes a viver, portanto, de algum modo, a Essência do que vocês São.

Enquanto isso não é realizado, vocês não estão Liberados.
É claro, nós sempre dissemos que a Liberação diz respeito ao conjunto da humanidade, e que esse momento estava inscrito na boa vontade da Terra, assim como nos ciclos astronômicos.

Inúmeras Estrelas intervieram, nesses últimos dias, para dizer-lhes que o momento havia chegado.

Ele está, inteiramente, aí.
Do mesmo modo que UM AMIGO explicou-lhes: isso sempre esteve aí.

Simplesmente, sua Consciência é que aí não estava.
E, aliás, sua Consciência não pode estar aí em momento algum, uma vez que é necessário que a a-consciência esteja presente, a fim de superar, de transcender, de transfigurar e de ressuscitar no Absoluto.

E, eu repito, não há, nisso, eu diria, qualquer obrigação porque, se vocês não estão maduros, vocês não estão maduros.

Porque, se vocês não querem soltar, não soltem.
Isso faz parte de sua Liberdade imprescritível, inscrita tanto na lei de ação/reação como na Lei da Graça. Mas, eu repito, não pode ser um e o outro, é, necessariamente, um ou o outro.

Inúmeras Estrelas falaram-lhes, também, é claro, do medo e do Amor, porque o que está subjacente, obviamente, é o medo. E o primeiro dos medos, que é, justamente, ligado ao efêmero: a morte.

Enquanto ele não é, ele também, atravessado, vocês não estão Livres.
E a Maturidade é, justamente, conceber que o inevitável da consciência, como desse corpo é, justamente, a morte, o que quer que vocês digam, o que quer que façam, o que quer que experimentem, quaisquer que sejam suas lembranças, quaisquer que sejam suas visões do futuro (o seu), vocês não escapam, de modo algum, a um dado momento, do fim desse corpo e do fim dessa consciência.

O que resta, então?
É nessa reflexão que se desenrola e que se desenrolará, para vocês, o Choque da Humanidade, que é, também, um Choque Individual.

Resolver a equação não é uma questão de matemática nem de física, mas, efetivamente, de Abandono, ou seja, de ir, honestamente, para a não percepção.

Se vocês realizam isso, se realizam a Refutação e a investigação, vocês superarão todas as experiências que têm vivido até o presente, para estabelecerem-se na não experiência, ou seja, no estado de Ser. Esse estado de Ser que eu diferencio, formalmente, do «Eu Sou» ou do «Eu Sou Um».

Para muitos, o «Eu Sou» e o «Eu Sou Um» foram etapas de construção indispensáveis, eu diria, de uma escala que não existe e que, no entanto, foi-lhes útil, de acordo com seu ponto de vista.

Mas, enquanto vocês permanecem em seu ponto de vista, permanecem confinados no medo e não são, é claro, Absoluto, ou seja, vocês não vivem a Verdade Absoluta que, no entanto, eu os lembro, sempre esteve aí.

O único modo de ali passar, uma vez que não é uma Passagem, de ali estabelecer-se, é, portanto, passar da percepção expandida à não percepção.
Enquanto vocês estão submissos, mesmo a uma percepção superior, Suprassensível, extrassensorial, mesmo a mais agradável, vocês não estão Livres.

Então, é claro, aqueles que estão instalados nessas percepções, vão responder-lhes que o Absoluto não existe, e eles têm razão, do ponto de vista deles, uma vez que, não o tendo vivido, não tendo passado à outra margem, eles são obrigados a estar na negação e na recusa.

Não há alternativa para eles e vocês devem respeitar, porque aquilo a que vocês se oponham neles, reforçar-se-á, inevitavelmente. Aquele que não quer ver, aquele que quer não perceber, reforça-se.

A Maturidade é, portanto, o desaparecimento do medo.
A Maturidade é, portanto, o desaparecimento de toda noção espiritual, de todo conhecido e de toda organização, tanto em si como no exterior
de si. Porque, enquanto existe uma organização há, sempre, um dominante e um dominado.

Vocês têm o exemplo absoluto de tudo isso, tanto nos sistemas sociais como nas religiões, como nos domínios ditos espirituais.

Enquanto essa relação dominante/dominado, que sabe e que não sabe existe, vocês não podem ser Livres, de maneira alguma e, ainda menos, autônomos.

A dominação, a escravidão, a noção daquele que está acima ou abaixo, resultará sempre, tanto em um como no outro, do medo, mesmo se o pretexto seja o Amor, porque o Amor é Livre.

O Amor não está em um princípio de escravidão ou de relação.
O verdadeiro Amor Vibral situa-se em uma Fusão Total da individualidade.

É a Fusão de duas quintessências e, absolutamente, não uma relação, mesmo satisfatória, qualquer que seja o desejo existente ou o prazer existente nessa relação.

Nós temos construído, progressivamente, através de nossas diversas intervenções, esse ponto preciso de ruptura no qual vocês estão.

Alguns o cruzaram, outros não.
Isso se chama a Ressurreição ou a Porta Estreita.

As condições dessa passagem dependem, obviamente, do que vocês realizaram até o presente.

A última sessão do Manto Azul da Graça realizou a Fusão Total, elétrica, invisível, do Sol e da Terra.

Isso há a viver em vocês, para além de qualquer percepção e de qualquer corpo, antes que o movimento coletivo, se posso dizer assim, leve ao desaparecimento do teatro.

As circunstâncias da Ressurreição dependem, muito precisamente, da não percepção, ou seja, da Transparência. Mas apreendam, efetivamente, essa palavra, em sua Essência, tal como eu a redefini e não em suas lendas pessoais ou em uma aceitação moral, social ou relacional.

Enquanto existe uma organização em vocês, essa organização diz respeito tanto às suas concepções, como aos seus sentires, vocês não estão Livres.
Vocês devem atravessar tudo isso.

E, ainda uma vez, é uma questão de Maturidade.
Essa Maturidade não os situa acima ou abaixo, ela não os torna superiores, mas ela é, de algum modo, a rendição.

É o momento em que a própria Consciência dá-se conta de que, qualquer que seja a percepção expandida, isso não tem sentido, porque não tem fim, mesmo se o fim seja um elemento importante nos ensinamentos espirituais, que lhes dizem que purificando, suficientemente, isso ou aquilo, vocês vão aliviar qualquer carma. O carma existe apenas para a pessoa, ele não existe para o que vocês São no Ser.

Todo o princípio da Ilusão foi o de dar, sempre, mais corpo à Ilusão e o de fazê-los validar essa Ilusão, como através de leis de ação/reação, físicas ou suprassensíveis, que não lhes permitem aceder a outra coisa, mas, como por acaso, que os faz, sempre, encher a cabeça uma solução dita futura, através do que é nomeada uma evolução, transformações. Mas, enquanto vocês permanecem na percepção ou nas concepções, nos afetos ou nas emoções, os Véus continuam aí.

A questão que vocês devem, portanto, colocar-se, é: «estou Maduro ou não?».
Essa Maturidade que não se define em relação a um número de experiências, a uma intensidade de experiência, a uma percepção, qualquer que seja e, ainda menos, a uma concepção, mas, efetivamente, no mecanismo, extremamente fino, que os faz, como eu disse, depor as armas e superar todos os elementos do conhecido.

É apenas a esse preço que vocês são Liberados.
As experiências que vocês têm realizado ou que realizarão têm aproximado vocês dessa Ressurreição.

Alguns entre vocês já a viveram e somente aqueles que a viveram podem testemunhá-la. E é claro, aqueles de vocês, entre os Irmãos e as Irmãs encarnados que a viveram, sabem-no, entre eles, porque isso não dá qualquer dúvida, uma vez que estão além da percepção, além do sentir e além da história pessoal deles.

É claro, aquele que não a viveu apenas pode ver isso com um olhar extremamente crítico, extremamente redutor, porque ele está inscrito, necessariamente, no medo.

Todos os sistemas de defesa, quer digam respeito a esse corpo humano, quer digam respeito aos sistemas, às organizações, às crenças, são, todos, construídos no medo.

Os exemplos disso poderiam ser multiplicados ao infinito, mas convém contextualizar o debate, não sobre as concepções (que são o que elas são), mesmo nos ideais os mais elevados, mas, efetivamente, no que eu nomeei a percepção e que eu lhes expliquei, porque a percepção, a partir do instante em que ela se torna expandida, maneja-se muito mais facilmente. E é, portanto, muito mais fácil entrar na não percepção.

Alguns de vocês a experimentam como uma aproximação do que foi nomeada a Infinita Presença ou a Última Presença.

São os momentos em que não existem mais marcadores, que são as primícias da Deslocalização, em que não sabem mais quem vocês são, onde estão, vocês se dirigem para a Liberdade e a Maturidade e a Autonomia, não antes.

Os elementos que eu lhes explicitei devem ser retomados, é claro, e relidos, porque a leitura, além da simples compreensão, pode dar-lhes o clique que lhes permitirá superar a percepção expandida.

A percepção expandida pode ser definida como tudo o que é extrassensorial: clariaudiência, clarividência, clarissenciência, que lhes dá a ver o mundo astral que é, também, uma verdade relativa, mas que não é nem uma finalidade, nem um objetivo, mas, efetivamente, um Véu, ali, onde estão situados todos aqueles que lhes comunicaram as leis da alma, as leis da evolução, a organização espiritual, sobretudo do século XX, mas que, jamais, propuseram-lhes e expuseram o que é a Liberação, que seduz a alma e a personalidade e o Espírito, no conhecimento de mecanismos e de articulação da encarnação e da evolução.

O Ser não tem que evoluir, ele não pode evoluir.
A Maturidade está aqui.

Só o medo pode evoluir e, enquanto há medo, há evolução, que é uma crença e, por vezes, uma percepção.

Mas isso continua uma percepção, mesmo a mais expandida.
Só a não percepção os faz passar para a outra margem.

Antes, isso é impossível.
Irmãos e Irmãs, faço, agora, o Silêncio das palavras, a fim de reforçar nossa Comunhão.

... Partilhar da Doação da Graça...

Eu rendo Graças por sua Atenção.

IRMÃO K saúda-os.

Até breve.


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Versão do francês para o português: Célia G. –
http://leiturasdaluz.blogspot.com

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